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João Costa, CEO da FINEPAPER, em entrevista à revista Marketing Farmacêutico

Depois de tantos anos a produzir a revista Marketing Farmacêutico, fui desafiado pela Hollyfar a responder a algumas perguntas. O resultado deste convite, que muito me honrou, já pode ser lido também aqui no blog.

A entrevista que se segue aborda o momento que vivemos e o impacto sentido nas indústrias gráfica e farmacêutica e também algumas considerações sobre o futuro da impressão.

Quem é o João Costa e como chega aqui?

Decidi muito novo que queria trabalhar na área gráfica. Sendo filho de uma designer que trabalhava muito próximo da fase da produção, nem me consigo lembrar de quando comecei a gostar de estar dentro de uma gráfica e a reconhecer os seus equipamentos e as várias fases do processo de produção gráfica. Acabei por me inscrever num curso profissional de Artes Gráficas na altura em que os computadores começaram a fazer parte do processo e, mais tarde, numa Licenciatura em Design e Produção Gráfica que nunca cheguei a acabar. Trabalhei em várias gráficas e editoras, onde adquiri experiência prática em impressão, fotografia, acabamentos, encadernação e, essencialmente, todas as fases da pré-impressão. Este caminho de aprendizagem em quase todas áreas do ciclo de produção levou-me a criar a empresa Finepaper, que conta já com 12 anos de atividade.

Na sequência de um MBA em Produção Gráfica que realizei no ISEC, surgiu a vontade de iniciarmos um processo de internacionalização, que arrancou com a abertura de um escritório em Chicago, no ano passado. Paralelamente, tenho mais de 20 anos de experiência como formador de artes gráficas, tendo passado por diversas escolas profissionais e pela Faculdade de Letras de Lisboa, entre outras escolas e projetos de formação, sendo atualmente professor de Produção Gráfica na Lisbon School of Design.

A Indústria Farmacêutica é tradicionalmente um cliente importante para o setor das artes gráficas. Têm sentido alguma quebra nessa relação?

Não posso dizer que tenha sentido uma quebra na relação com os nossos clientes da Indústria Farmacêutica, nem acredito que a relação entre ambos os setores esteja em risco, essencialmente porque as áreas de embalagem e rotulagem continuam com projeções de crescimento para os próximos anos em todo o mundo. Em relação a outro tipo de materiais, como os materiais de marketing e produtos editoriais, também não tenho sentido nenhum abrandamento, mas acredito que tal possa ter a ver com a situação particular da Finepaper.

Vivemos sob a buzzword da digitalização. Tudo se digitalizará…

A transformação digital criou novos pressupostos que levaram quase todos os tipos de empresa a ajustarem a tipologia dos materiais de comunicação. Obviamente, alguns produtos impressos fazem agora muito mais sentido em formato digital. No caso particular da IF, por ser tradicionalmente um setor que procura consistentemente utilizar estratégias de diferenciação, penso que farão a troca tantas vezes quanto necessário para manter a eficiência das suas iniciativas e produtos.

Considera esta uma tendência transversal a todos os setores de atividade e irreversível?

Sim, acho que a utilização de meios digitais irá continuar a crescer irreversivelmente em todos os setores de atividade, simplesmente porque é lá que as pessoas estão. Mas também acho que existe já alguma saturação de informação e isso irá sempre criar excelentes oportunidades para a utilização de materiais impressos.

Penso que é seguro dizer que a utilização do papel ficará mais restrita às áreas da embalagem, rotulagem, produtos de higiene e restauração, com a redução sentida nas áreas do transacional e do editorial. Mas penso que continuará a ter um papel muito importante nas estratégias de comunicação das marcas.

Ainda encontra vantagens, do ponto de vista do marketing, na utilização de meios não digitais?

Para além de achar que poderá ser uma boa alternativa em situações onde a diferenciação seja importante, acho que há outras duas vantagens que não podem ser ignoradas: a leitura de meios não digitais é mais eficiente do ponto de vista da retenção de informação e é mais saudável.

Acho que quanto mais generalizados estiverem os meios e processos digitais, mais relevância terão alguns produtos analógicos, mas acredito que ainda estamos um pouco longe de poder dizer que os meios analógicos estão a reforçar a sua posição.

É possível oferecer inovação à Indústria Farmacêutica ou as artes gráficas estão cada vez mais limitadas ao packaging?

Acredito que a indústria gráfica continuará a desenvolver soluções inovadoras que impactarão todas as indústrias. Uma das situações mais curiosas, na minha opinião, tem a ver com a forma como tem mantido presença no crescimento da impressão 3D para efeitos de marketing, numa tentativa de se posicionarem como produtores deste tipo de produtos, como complemento à sua capacidade de personalização dos mesmos. Outra área que acho importante e que poderá dar muito que falar, é o desenvolvimento de materiais e tecnologias cada vez mais sustentáveis, que poderão vir a ser uma opção mais ecológica do que algumas alternativas de comunicação digitais.

Enquanto empresa, vivem o grande desafio da internacionalização. Como é que uma empresa portuguesa deste setor chega a um mercado como o americano?

O nosso processo de internacionalização começou a ganhar forma quando percebemos que o nível de serviço realizado diariamente na Finepaper era altamente valorizado e considerado inovador por clientes de várias nacionalidades, com experiência em produção gráfica em várias partes do mundo. Começámos por realizar alguns projetos fora de Portugal e a partir de uma relação com um cliente americano de grande dimensão, acabámos por decidir começar a testar um modelo de crescimento internacional em Chicago.

Esse processo poderá servir para quebrar as correntes do alinhamento internacional que obrigam as companhias a trabalhar com fornecedores globais?

Penso que na produção gráfica será difícil de contrariar, para já, essa tendência com as grandes produções, mas começam a surgir sistemas de centralização de produção que utilizam uma lógica de produção local, como forma de aumentar a qualidade do serviço e diminuir os tempos de produção, enquanto contribuem para reduzir o impacto ambiental da logística. A nossa ideia é trabalhar numa base que privilegia também as ligações locais, pelas mesmas razões e porque queremos aumentar a rede de fornecedores.

Numa sociedade cada vez mais tecnológica, como olha para o futuro da vossa atividade?

Acho que, num futuro muito próximo, assistiremos à alteração da lógica de contacto entre os clientes e as gráficas, que passarão a trabalhar quase exclusivamente através de plataformas online, tornando os produtos gráficos ainda mais acessíveis. Em combinação com a tendência de aumento do consumo, tal irá manter o setor a crescer nalguns segmentos, enquanto outros irão necessariamente ter de se adaptar a uma nova realidade digital que criará oportunidades diferentes, o que obrigará as empresas da área gráfica a manter o ritmo da inovação para continuar a apresentar bons argumentos para a utilização dos seus produtos impressos.

Existe um novo consumidor totalmente digital? Será possível impactar as futuras gerações através de ferramentas de comunicação impressas?

Tenho alguma dificuldade em imaginar um mundo onde a comunicação é totalmente digital. Penso que temos alguns exemplos que mostram que mesmo as novas gerações não caminham para uma rutura com tudo o que não é digital e, por isso, acredito que a comunicação de sucesso no futuro irá ser uma combinação de estratégias online e offline.

Pessoalmente, acredita no «fim do papel»? Porquê?

Não acredito de todo que venha a assistir ao fim da comunicação em papel, porque um produto impresso é muito mais do que apenas o seu conteúdo e acho que os suportes digitais não conseguirão substituir na totalidade o prazer da utilização da maioria dos produtos gráficos.

Copy editor: Revista Marketing Farmacêutico e Marina Soares

Fotografia: Dília Lopes

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